De 'Viva Israel' a discurso no quartel: os 3 momentos da posse do novo presidente da Colômbia que sinalizam como será governo do país

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- Author, Santiago Vanegas
- Role, BBC News Mundo
- Author, José Carlos Cueto
- Role, Correspondente da BBC News Mundo na Colômbia
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Abelardo de la Espriella tomou posse como o novo presidente da Colômbia nesta sexta-feira (7/8), em uma cerimônia de quase três horas realizada pela primeira vez na história moderna fora da capital do país, Bogotá.
O evento em Cali, terceira maior cidade do país, começou no auditório de uma universidade particular, onde delegações internacionais, membros do Congresso e altos funcionários do novo governo se reuniram. Ali, o juramento de posse foi prestado e a faixa presidencial foi entregue.
Em seguida, o presidente se dirigiu a um batalhão militar, onde proferiu seu discurso de posse.
Foi uma cerimônia que marcou diversas mudanças em relação às posses anteriores, além do local.
O presidente anterior, Gustavo Petro, não estava presente na posse. Ele realizou uma breve cerimônia de despedida na Casa de Nariño, o palácio presidencial em Bogotá, na manhã de sexta. Os ex-presidentes Ernesto Samper e Juan Manuel Santos, criticados por De la Espriella, também não foram convidados para a posse.
Houve também importantes elementos simbólicos que indicaram a direção do novo governo. Leia mais, a seguir, sobre os três momentos-chave do dia.
1. 'Oração' e 'louvor' pela Colômbia
Após a entrega da faixa presidencial a De la Espriella e ao seu vice-presidente, José Manuel Restrepo, e a posse de ambos, um momento inusitado ocorreu.
As luzes do auditório se apagaram e a cantora colombiana Maía apareceu, interpretando uma versão de Hallelujah, de Leonard Cohen.
Em seguida, líderes de diferentes denominações religiosas fizeram uma série de orações.
O primeiro foi David Michaan, rabino-chefe da Comunidade Judaica Sefardita, que encerrou seu discurso com "Viva Israel!", um sinal da mudança de postura do novo governo em relação ao conflito no Oriente Médio.
Petro rompeu relações com o governo israelense devido à ofensiva em Gaza e tornou-se um líder proeminente da causa pró-Palestina.
De la Espriella declarou que considerará Israel um de seus principais aliados em segurança e que transferirá a embaixada colombiana para Jerusalém.
A mudança da embaixada representaria um reconhecimento da cidade como capital de Israel, o que pode provocar reações da comunidade internacional, cuja posição é de que o status de Jerusalém deve ser decidido em negociações de paz.

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Após o rabino, discursou o pastor cristão Eduardo Cañas, fundador da Igreja Primavera Eterna e um dos representantes mais proeminentes dos evangélicos na Colômbia.
Desde a campanha, as igrejas cristãs se tornaram uma importante fonte de apoio para De la Espriella.
Esse setor político terá representação no novo gabinete: o ministro da Habitação, Jaime Andrés Beltrán, e a ministra da Educação, Viviane Morales, construíram grande parte de seu capital político em igrejas evangélicas e com um discurso baseado na fé.
Em seguida, o capelão da Presidência e presidente da Conferência Episcopal discursou em nome da Igreja Católica.
A parte religiosa da posse durou 28 minutos e gerou críticas.
A senadora Jennifer Pedraza declarou em sua conta nas redes sociais que se retirou da cerimônia de posse para não participar de "uma cerimônia que ameaça abertamente o caráter laico do Estado colombiano, que é um mandato constitucional". Ela acrescentou: "eles estão começando por quebrar sua primeira promessa: respeitar a Constituição".
A religião de De la Espriella foi um tema de discussão durante a campanha, visto que o presidente havia declarado anteriormente ser ateu.
Mas, como ele explicou, converteu-se ao cristianismo há seis anos. Ele também deixou claro que a religião desempenhará um papel central em seu governo.
Poucos dias antes de sua posse, ele foi visto em um retiro espiritual com seu gabinete, ajoelhado com uma Bíblia nas mãos. "Viva Cristo Rei", foram as palavras finais de seu discurso de posse.
A Constituição colombiana estabelece o caráter laico do Estado e a liberdade religiosa.
Não é incomum que presidentes colombianos mencionem Deus em eventos públicos, mas na posse de De la Espriella, a fé desempenhou um papel mais proeminente do que o habitual.
2. Discurso em um batalhão militar

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O presidente De la Espriella reapareceu após as orações no Batalhão Pichincha, uma base militar histórica de Cali. De lá, ele proferiu seu discurso de uma hora diante de um telão que exibia a bandeira colombiana.
Apenas esquadrões militares estavam presentes. Os participantes da posse permaneceram no auditório assistindo à transmissão do discurso.
De la Espriella havia anunciado sua intenção de tomar posse em um quartel militar, como símbolo de apoio às Forças Armadas e para marcar o início de sua política de segurança linha-dura.
O assunto foi amplamente debatido devido às implicações simbólicas de um presidente tomar posse em um contexto militar, em vez de um civil, como o Congresso.
No fim, De la Espriella conseguiu realizar seu desejo, pelo menos em parte.
Em seu discurso, ele falou principalmente sobre segurança.]
"A segurança não se constrói fazendo concessões ao crime, mas com autoridade e perseverança", afirmou, e imediatamente ordenou que as tropas confrontassem as organizações criminosas.
"Reafirmo minha intenção de derrotar implacavelmente o narcoterrorismo e todas as organizações criminosas que ameaçam a liberdade da Colômbia", acrescentou De la Espriella.
"O Tigre chegou, e vocês verão como ele morde forte quando se trata de defender o povo colombiano", disse ele, aludindo ao seu apelido.
"A opção de diálogo está completamente esgotada", concluiu.
3. Sr. Luis, o vendedor de panela

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Entre a posse do presidente e do vice-presidente, Luis Felipe Yagüé, um vendedor de panelas de 74 anos de Florencia, Caquetá, subiu ao palco.
Yagüé tornou-se um símbolo pró-De La Espriella durante a campanha por causa de um vídeo em que um homem lhe disse que nunca mais compraria panelas dele porque havia votado no agora presidente.
"Não vou mais comprar coisas de quem votou para nos dividir", disse o homem ao Sr. Luis, referindo-se a uma declaração controversa feita pelo então candidato, na qual ele prometeu fazer tudo ao seu alcance para "destruir a esquerda".
O vendedor de panelas simplesmente respondeu: "Bem, senhor, com prazer".
A cena gerou uma onda de solidariedade a Yagüé, a ponto de ele ser convidado para a posse como uma espécie de representante dos eleitores de De la Espriella.
Na plataforma, o presidente o abraçou calorosamente e pediu aplausos. Mais tarde, em seu discurso, mencionou-o como um "convidado especial" e o "primeiro beneficiário" de um de seus programas sociais.
Na quinta-feira, ao chegar ao aeroporto de Cali, Yagüé disse aos repórteres que se sentia feliz e orgulhoso por estar presente na posse e "por sentir o apoio de todo o meu povo, tanto de Caquetá quanto de toda a Colômbia".
"Todos nós que estamos começando no empreendedorismo esperamos que este governo seja uma bênção de Deus", acrescentou.
Antes da posse, De la Espriella anunciou que seu governo apoiaria Yagüé por meio de um programa chamado La Ruta Milagro (A Rota do Milagre), que visa ajudar pequenas empresas a crescerem.
Com uma oração, um discurso em um batalhão militar e um vendedor de panelas, De la Espriella imbuíu a posse com seu próprio estilo simbólico.
E deu indícios claros sobre algumas de suas prioridades: firmeza na segurança, apoio aos empreendedores e uma dose significativa de fé.



























